Bizarrices
Correm, Colidem e Caem: O Novo “Desporto” Que Está a Chocar a Austrália (E a Encher Pavilhões!)
Se acha que já viu tudo no mundo do desporto — desde lutas dentro de jaulas a competições de chapadas transmitidas em directo — prepare-se para conhecer o próximo nível. Na Austrália, um novo “desporto” está a ganhar adeptos à velocidade de um sprint… literalmente. Chama-se Run Nation Championship (RNC) e tem uma regra simples: dois adultos musculados correm um contra o outro a toda a velocidade e vence quem ficar de pé.
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Sim, leu bem. Não há bola. Não há linha de meta. Não há estratégia táctica digna de xadrez tridimensional. Há apenas dois concorrentes, frente a frente, separados por alguns metros, que arrancam em corrida e colidem com toda a força possível. O objectivo? Derrubar o adversário. É bruto, é directo e, para muitos, é absolutamente insano.
Do “run it straight” ao palco principal
O RNC nasceu inspirado numa tendência viral das redes sociais conhecida como “run it straight”, onde jovens (e menos jovens) se desafiavam a correr uns contra os outros por fama, visualizações e direitos de gabarolice. Como seria de esperar, os vídeos acumulavam milhões de visualizações. Afinal, há algo na colisão humana que prende a atenção — talvez a adrenalina, talvez o choque, talvez aquela curiosidade mórbida que ninguém gosta de admitir.
Agora, os fundadores do Run Nation Championship querem transformar essa febre digital num espectáculo organizado, à semelhança do que Dana White fez com a UFC e, mais recentemente, com o Power Slap. A ambição é clara: levar este confronto frontal para o grande público.
New combat sport league where heavyweights just sprint full speed into each other
— Daily Loud (@DailyLoud) February 8, 2026
pic.twitter.com/h9uBtptbT5
E o público está a responder. A segunda edição do evento esgotou o Hordern Pavilion, em Sydney, com 5.500 lugares completamente preenchidos. Nada mau para uma competição cujo conceito cabe numa frase.
“É violento, mas é seguro”, garantem
Os participantes — apelidados de “runners” — competem por categorias de peso, à semelhança do boxe. Muitos vêm do râguebi, do futebol americano ou de desportos de combate. O cofundador e CEO da organização, Tremaine Fernandez, defende que, apesar da natureza agressiva da modalidade, têm sido implementadas medidas rigorosas de segurança.
Há regras de contacto, critérios apertados de selecção e uma impressionante equipa médica no local: dois médicos, dois paramédicos do estado de New South Wales, neurologistas, fisioterapeutas, quiropráticos… praticamente um hospital portátil à beira do embate.
Ainda assim, o risco de concussões e lesões cerebrais não desaparece por decreto. A neurologista desportiva Rowena Mobbs tem sido uma das vozes mais críticas, defendendo que cada colisão frontal pode provocar, no mínimo, microlesões cerebrais. E deixa uma pergunta incómoda no ar: será que a presença de tantos profissionais não cria apenas uma ilusão de segurança?
Espectáculo ou imprudência?
O debate está lançado. De um lado, os defensores falam em liberdade individual, espectáculo e organização profissional. Do outro, especialistas alertam para os perigos de transformar impactos violentos no único propósito competitivo.
A verdade é que, polémicas à parte, o Run Nation Championship está a crescer. E enquanto houver bilhetes esgotados, vídeos virais e multidões a gritar por mais um embate, dificilmente o fenómeno desaparecerá.
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Resta saber se estamos perante o nascimento de uma nova febre desportiva… ou se, daqui a uns anos, olharemos para isto como mais uma daquelas ideias que pareciam brilhantes até alguém perguntar: “Mas era mesmo preciso?”
Fonte: https://www.abc.net.au/news