Há quem coloque uma chávena sobre papéis para que não voem. Há quem use um peso para manter a porta aberta. E depois há quem use uma moldura para manter teclas pressionadas… e simular que está a trabalhar. Foi exactamente este o método que levou ao despedimento de uma sargento da Avon and Somerset Police.
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Identificada apenas como “Sargento X”, a agente foi demitida sem aviso prévio e proibida de exercer funções policiais no futuro, depois de uma audiência disciplinar ter concluído que o seu comportamento configurava falta grave.
Segundo a investigação interna, durante a maioria dos turnos que realizou em Abril e Maio do ano passado, a sargento utilizou o canto de uma moldura para manter pressionadas as teclas do portátil. O objectivo era simples: impedir que o computador entrasse em modo de suspensão e criar a aparência de actividade constante enquanto trabalhava a partir de casa.
O esquema acabou por ruir graças à análise de dados feita pelo departamento de padrões profissionais da força policial. Algo parecia… estranho. O número de toques no teclado registados no sistema era invulgarmente elevado. Na verdade, situava-se entre três e oito vezes acima do registado por colegas que desempenhavam funções semelhantes.
Em vez de sugerir produtividade exemplar, os números levantaram suspeitas. E foi precisamente essa “hiperactividade digital” que desencadeou a investigação.
Perante os factos, a Sargento X admitiu ter recorrido ao truque. Alegou que atravessava um período complicado na vida pessoal e que essa situação influenciou o seu comportamento. No entanto, a comissão disciplinar considerou que, apesar das circunstâncias atenuantes, a conduta foi deliberada e enganosa.
A detective-superintendente Larisa Hunt afirmou que o caso é “extremamente decepcionante”, sublinhando que atitudes deste género podem não só prejudicar a imagem da polícia como minar a confiança do público nas suas responsabilidades.
A decisão foi clara: despedimento imediato e inclusão numa lista que a impede de trabalhar novamente na polícia ou em outras agências de aplicação da lei.
O episódio reacende o debate sobre o trabalho remoto em profissões tradicionalmente presenciais e sobre os mecanismos de controlo implementados para garantir produtividade. Mas também deixa uma lição mais universal: quando os números parecem bons demais para ser verdade, provavelmente há uma moldura pelo meio.
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Num mundo cada vez mais digital, até um simples teclado pode contar uma história — e, neste caso, foi ele que denunciou o truque.