A história de uma fuga improvável, de uma mobilização comunitária desnecessariamente empolgante, e de um marsupial com um talento natural para a liberdade.
O dia em que Chesney decidiu que já chega
Num jardim zoológico interativo do Wisconsin — o tipo de lugar onde as crianças alimentam animais dóceis e os adultos fingem que também estão a divertir-se — vivia Chesney, um canguru de porte médio com uma vida aparentemente estável.
Tinha comida regular, visitantes entusiastas, e uma vedação de 2,4 metros de altura que os responsáveis do parque consideravam perfeitamente adequada para um animal do seu tamanho.
Chesney tinha uma opinião diferente.
Numa manhã que começou como qualquer outra, o canguru avaliou a situação, calculou a trajectória, e saltou a vedação com a serenidade de quem está simplesmente a tomar o pequeno-almoço. Sem corrida de balanço aparente. Sem hesitação. Sem olhar para trás.

A Wisconsin inteira mobiliza-se. Chesney não fica impressionado.
A notícia de um canguru em liberdade no Wisconsin propagou-se com a velocidade que apenas as histórias verdadeiramente absurdas conseguem atingir nas redes sociais. Em poucas horas, os residentes locais estavam a partilhar avistamentos com a energia de quem está a seguir um reality show de alta tensão.
“Vi-o perto do supermercado.” “Passou pela minha rua às 7 da manhã.” “Está no parque, juro que não estou a inventar.”
As autoridades mobilizaram-se. Foram chamados especialistas. Foram estabelecidos perímetros. Foram desenvolvidas estratégias de captura com o rigor normalmente reservado para situações de emergência de nível consideravelmente mais elevado.
Chesney, entretanto, continuou o seu passeio com a indiferença característica de quem tem quatro patas muito rápidas e nenhuma obrigação de responder a ninguém.
Três dias de liberdade
Durante três dias, Chesney foi simultaneamente o animal mais procurado e o mais admirado do Wisconsin. A comunidade local dividiu-se entre os que queriam que fosse recapturado por razões de segurança e os que secretamente torciam para que ficasse em liberdade para sempre.
A comida não era problema — o Wisconsin em março tem erva e vegetação suficiente para um canguru com critérios razoáveis. O clima era menos ideal, porque o Wisconsin em março não foi concebido com marsupiais australianos em mente, mas Chesney aparentemente não leu as instruções climáticas.
No terceiro dia, foi finalmente recapturado. Estava são, salvo, e segundo testemunhas no local, com uma expressão que os especialistas em comportamento animal descrevem tecnicamente como “completamente não arrependido”.
O que nos ensina Chesney
Há várias leituras possíveis desta história. A mais óbvia é que as vedações de parques de animais devem ser revisadas periodicamente com a perspectiva do animal, e não apenas do engenheiro que as projectou.
A mais filosófica é que Chesney fez exactamente o que qualquer ser sensato faria perante uma vedação de 2,4 metros e a perspectiva de três dias de liberdade absoluta no Wisconsin: saltou.
O parque confirmou que a vedação foi reforçada. Chesney não comentou o assunto — mas quem o conhece garante que ele continua a olhar para ela com um interesse que não é puramente contemplativo.
Fonte: AP Offbeat / US News