Bizarrices
Construíram uma rotunda no meio de um campo. Não está ligada a nenhuma estrada. Custou 1,5 milhões.
Vista de cima parece um erro de cortar e colar — uma rotunda perfeita, impecável, com sinalização correctamente instalada, depositada no meio de um campo entre as localidades de Zalaegerszeg e Zalaszentiván, no oeste da Hungria. Não há estradas que entrem. Não há estradas que saiam. Há um círculo de asfalto rodeado de erva, a existir com a serenidade de quem não precisa de justificar a sua presença.
Fazia sentido. Até deixar de fazer.
Em 2021, o projecto foi anunciado com toda a lógica do mundo. A rotunda destinava-se a servir um novo terminal logístico da empresa privada Metrans, que permitiria que mercadorias chegadas por caminho-de-ferro do Mar Adriático atravessassem a Hungria sem desviar por Budapeste. O município candidatou-se a fundos europeus. Os fundos foram aprovados. A rotunda foi construída.
O terminal logístico não foi. A Metrans desistiu. A ferrovia que devia passar pelo terminal ainda está em fase de concurso — na melhor das hipóteses, estaria operacional em 2029. Entretanto a rotunda ficou, sozinha no campo, a aguardar estradas que podem nunca chegar.
O símbolo involuntário
O que começou como curiosidade de internet adquiriu rapidamente dimensão política. A CNN dedicou-lhe uma peça como símbolo da relação tensa entre a Hungria e a União Europeia — financiada com fundos comunitários, resultado de promessas não cumpridas, monumento involuntário à diferença entre o que é anunciado e o que é executado.
Alguém propôs transformá-la em pista de dança. É actualmente o único sítio na Hungria onde se pode circular sem trânsito. E segundo as projecções mais optimistas, poderá ter carros a circular nela em 2029. Ou não.
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