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440 metros de tiramisu: os chefs italianos que decidiram que “grande” não chegava e foram para “absurdo”
Existe uma fronteira ténue entre a ambição e o disparate. Os chefs que se reuniram em Londres no passado dia 26 de abril cruzaram essa fronteira de propósito, com toda a consciência, armados com 800 quilogramas de mascarpone, 1.200 ovos, 400 quilogramas de palitos de la reine e 200 litros de expresso. O objectivo era simples de enunciar e logisticamente vertiginoso de executar: construir o tiramisu mais comprido da história do mundo.
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O resultado foi 440,58 metros de sobremesa italiana. Quase meio quilómetro de tiramisu. Uma fila de tiramisu que, se fosse colocada numa recta, levaria cerca de cinco minutos a percorrer a pé — assumindo que a pessoa conseguia resistir a não parar a comer pelo caminho, o que parece improvável.
De onde veio esta ideia e porque é que alguém a levou a sério
O projecto foi organizado pela Região de Friuli Venezia Giulia, no nordeste de Itália, em parceria com a Câmara de Comércio Italiana no Reino Unido. O tiramisu é, não por acaso, originário precisamente desta região — o que confere ao exercício uma certa lógica patrimonial que vai muito além do espectáculo. Não se tratava apenas de bater um recorde. Tratava-se de afirmar, de forma inequívoca e com certificação do Guinness World Records, que o tiramisu pertence a Friuli Venezia Giulia, e que essa região leva a sobremesa muito, mas muito a sério.
O evento decorreu no Chelsea Old Town Hall, em Londres, ao longo de dois dias. No primeiro dia houve uma exposição de produtos italianos com entrada gratuita. No segundo, a tentativa de recorde propriamente dita, com o envolvimento de chefs, voluntários e um número considerável de pessoas que tinham comprado bilhete especificamente para ter direito a uma fatia no final — o que é, objetivamente, uma das formas mais razoáveis de gastar dinheiro num fim-de-semana em Londres.
A logística de mover meio quilómetro de sobremesa através do Canal da Mancha
O que não é imediatamente óbvio, quando se vê o resultado final, é a complexidade operacional que o antecedeu. Transportar 800 quilogramas de mascarpone de Itália para Londres em abril — com temperaturas que variam e produto que exige refrigeração constante — é um exercício de precisão que os organizadores compararam, sem exagero, a logística de alta complexidade. Os camiões frigoríficos tiveram prioridade de passagem em Dover. Os sistemas de climatização do Chelsea Old Town Hall foram ajustados para manter temperatura constante durante toda a montagem. Um grau acima do previsto e meses de planeamento poderiam resultar em meio quilómetro de tiramisu impróprio para consumo — o que teria sido, ao mesmo tempo, uma tragédia e uma história ainda melhor.
Correu tudo bem. O recorde anterior, de pouco mais de 273 metros, foi pulverizado. O Guinness certificou os 440,58 metros. E depois, naturalmente, toda a gente comeu.
O número que resume tudo
Os organizadores estimaram que, a um ritmo de uma fatia por dia, levariam 96 anos a consumir todo o tiramisu produzido. É um número que surge inevitavelmente nestas histórias de recordes alimentares e que serve sempre o mesmo propósito: tornar concreto algo que a imaginação não consegue processar em abstracto. Meio quilómetro de tiramisu não significa nada. Noventa e seis anos de tiramisu diário já diz alguma coisa — nomeadamente que há situações em que mais é, de facto, demasiado, mas que isso não é necessariamente um argumento contra tentar.
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Changsha, na China, abriu há dias a maior loja de snacks do mundo e teve de fechar ao segundo dia por falta de stock. Londres fez o tiramisu mais comprido da história e comeu-o todo no próprio dia. Há qualquer coisa de reconfortante na consistência com que a humanidade resolve os seus excessos alimentares.