A internet já nos habituou a modas estranhas, virais improváveis e fenómenos que aparecem do nada e, em poucas horas, dominam os feeds de meio mundo. Mas mesmo para os padrões actuais das redes sociais, o caso de Valeria e Camila consegue surpreender. As supostas gémeas unidas tornaram-se uma sensação no Instagram, conquistando centenas de milhares de seguidores em tempo recorde. O detalhe mais delicioso (ou perturbador, dependendo do ponto de vista)? Elas não existem.
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Valeria e Camila são influenciadoras criadas por inteligência artificial, um produto de algoritmos, renderizações digitais e muito engenho criativo. Ainda assim, isso não impediu que mais de 280 mil pessoas seguissem religiosamente as suas publicações, deixassem elogios apaixonados, corações a transbordar e até convites que fariam corar um humano de carne e osso. Basta uma rápida visita ao perfil para perceber que algo ali não bate certo — a pele demasiado perfeita, os traços milimetricamente simétricos, o brilho quase irreal nos olhos — mas, aparentemente, nem todos fazem essa pausa para pensar.
Nos tempos que correm, ser “bonito” já não chega nas redes sociais. Há milhares de influenciadores virtuais com corpos esculturais, rostos dignos de capas de revista e vidas de sonho fabricadas por software. Para se destacar, alguém decidiu ir mais longe… e acertou em cheio. Gémeas unidas geradas por IA? Bingo. Um nicho inesperado, chamativo e suficientemente estranho para despertar curiosidade, cliques e partilhas.
Os criadores de Valeria e Camila não se ficaram por imagens apelativas. Criaram também uma narrativa emocional, completa com histórias de infância, fotografias falsas de quando eram crianças e relatos do seu dia-a-dia. Numa das publicações mais comentadas, as gémeas explicam que nasceram com a coluna vertebral perigosamente unida e que, ao longo da vida, foram submetidas a várias cirurgias. As cicatrizes, dizem elas, são “marcas bonitas” da sua história de superação. Tudo isto, claro, inteiramente fictício.
O mais curioso — e inquietante — é que, ao contrário de outros influenciadores digitais criados por IA, Valeria e Camila nunca esclareceram de forma explícita que não são humanas. Esta ambiguidade tem alimentado debates acesos nos comentários e levantado suspeitas sobre as verdadeiras intenções por detrás do projecto. Há quem tema que o objectivo seja acumular seguidores para, mais tarde, os direccionar para plataformas de conteúdo pago ou esquemas menos transparentes. Para já, não há provas disso, apenas desconfiança… e muita especulação.
Este fenómeno diz muito sobre o estado actual das redes sociais e sobre a facilidade com que histórias bem contadas — mesmo quando falsas — conseguem gerar empatia e envolvimento. Num mundo onde a linha entre o real e o artificial está cada vez mais esbatida, Valeria e Camila são o exemplo perfeito de como a inteligência artificial já não se limita a imitar humanos: consegue emocionar, enganar e criar relações parasociais com uma eficácia assustadora.
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Se isto é apenas uma curiosidade passageira ou o prenúncio de uma nova era de “celebridades” que nunca respiraram oxigénio, ainda está por ver. Para já, uma coisa é certa: a internet está rendida… mesmo sabendo, lá no fundo, que tudo isto é demasiado perfeito para ser verdade.