No Kiddin'

Descobriu uma falha absurda numa loja online… e acabou milionário (por pouco tempo)

Durante meses, tudo parecia correr lindamente. Comprava, pedia reembolso, ficava com o produto e ainda recebia o dinheiro de volta. Um verdadeiro sonho de consumo — até deixar de ser. A história chega-nos da China e mistura engenho, ganância, maquilhagem em quantidades industriais e um final pouco glamoroso… numa cela de prisão.

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O protagonista desta novela moderna é um adolescente de 17 anos, natural de Xangai, que decidiu testar os limites de uma plataforma de comércio electrónico. Ao perceber que o sistema de devoluções aceitava números de envio falsos sem grande verificação, o jovem teve uma epifania digna de vilão de filme: “E se eu pedisse o reembolso… sem devolver nada?” Spoiler alert: funcionou. Funcionou vezes demais.

O esquema era simples, repetitivo e extremamente eficaz. O rapaz encomendava produtos — sobretudo maquilhagem — e, de seguida, solicitava o reembolso, inserindo números de envio inventados. O sistema, ingénuo como um NPC mal programado, processava automaticamente a devolução do dinheiro. Resultado? Produto em casa, dinheiro na conta e um sorriso maroto no rosto. Em vez de parar enquanto estava a ganhar, decidiu carregar no acelerador a fundo.

Ao longo de vários meses, o adolescente fez nada mais, nada menos do que 11.900 pedidos de reembolso falsos. Sim, leu bem. Onze mil e novecentos. Os produtos recebidos, avaliados em cerca de 4,76 milhões de yuan (aproximadamente 680 mil dólares), foram depois revendidos em plataformas de segunda mão. O lucro líquido rondou os 4,01 milhões de yuan — cerca de 570 mil dólares. Nada mau para um “part-time”.

E em que gastou esta pequena fortuna? Telemóveis topo de gama, roupa cara, videojogos e, claro, a generosidade típica de quem acha que o dinheiro nunca vai acabar: pagava coisas aos amigos, vivia como um mini-magnata digital e provavelmente achava que tinha vencido o sistema. O problema é que os sistemas, mais cedo ou mais tarde, acordam.

As autoridades acabaram por dar conta do esquema e o jovem foi detido. Em tribunal, os procuradores acusaram-no formalmente de fraude em larga escala. A sentença? Seis anos de prisão. Um castigo relativamente “leve”, segundo a imprensa chinesa, pelo simples facto de o crime ter sido cometido quando ainda era menor de idade. Ainda assim, seis anos é tempo suficiente para reflectir seriamente sobre escolhas de vida… e sobre o uso excessivo do botão “pedir reembolso”.

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A história tornou-se viral um pouco por todo o mundo, servindo de aviso para quem acha que as falhas tecnológicas são convites abertos ao enriquecimento rápido. Moral da história? Se algo parece bom demais para ser verdade, normalmente vem com algemas incluídas. E na China, a paciência para este tipo de “criatividade” é curta.


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